O Ventre Livre recomeça suas atividades

De abril de 2009 a agosto de 2012 o Ventre Livre esteve aberto como espaço de cultura e saúde na comunidade da Vila Jardim, fundamentalmente construído com muita experimentração e resistência. Aconteceu de tudo nesses anos: oficina de fotografia na lata e colagem, grupo de jovens, núcleos operativos da unidade de saúde e oficina de tambor de sopapo, teatro de rua, oficina de música, circo, artes plásticas, audiovisual…e muito mais – tudo ou quase tudo registrado aqui nesse blog.

Vídeo que mostra um pouco do início do Ponto de Cultura.

Vídeo de atividade com música.

Todas essas atividades nos trouxeram, além de muita satisfação, alguma experiência. Coisas que foram previstas no projeto original aconteceram diferente e tivemos que readequar, outras superaram as expectativas e geraram frutos para além do projeto do Ponto de Cultura. Um exemplo disso foram as oficinas de audiovisual que a vontade de produzir extrapolou os limites das oficinas e aprovou outro projeto para produzir outros curtas-metragens.


Vídeo sobre grupo de produção audiovisual.

Do Ventre do Sopapo Sai Som

Seja como for, toda a história do Ventre Livre nos estimulou a dar continuidade ao trabalho porém com uma maturidade que surge de todas essas experiências que passamos desde o começo do primeiro projeto. Daí surge uma segunda fase do Ventre Livre que chamamos Do Ventre do Sopapo Sai o Som. O projeto essencialmente foca na continuidade e qualificação do trabalho a partir das seguintes vertentes:

A constituição do Espaço Griô projeta qualificar a participação do artista residente do Ponto de Cultura, Paulo Montiel, visando à conservação de seu acervo e a possibilidade de permitir que ele, morador “anônimo” do bairro, possa contar suas histórias, suas inspirações e os significados em suas obras – tão conhecidas pelos povos de terreiro de Porto Alegre e Salvador. Além de permitir a manutenção de um espaço terapêutico para a recuperação deste artista que teve a sua condição física tragicamente afetada por um acidente de moto em 2008.

Mestre Baptista

Pretende-se também produzir 2 Tambores de Sopapo, instrumento enraizado na história da contribuição africana no Estado do Rio Grande do Sul – que motivou, inclusive, a produção de um longa-metragem (O Grande Tambor), disponível na internet, realizado pelo Coletivo Catarse, em parceria com os pontos de cultura Ventre Livre e Quilombo do Sopapo. A montagem dos tambores se dará em formato de oficina, quando se explicará o Método Baptista de produção, desenvolvido pelo luthier Mestre Baptista (in memorian) desde meados da década de 1990, quando o tambor praticamente se encontrava extinto. Durante essas oficinas, haverá a presença de outros griôs que também compartilharão os seus conhecimentos.

A oficina de produção audiovisual se desenvolverá com o objetivo de realizar o programa Sala de Espera que será um conjunto de produtos audiovisuais para serem veiculados nas televisões das salas de espera de unidades básicas de saúde, hospitais, ambulatórios, serviços especializados de saúde, bem como em processos educativos nas áreas da saúde, cultura e da assistência social.

Junto a esses vídeos produzidos, a intenção é realizar pesquisa e coleta de outros vídeos de produtores independentes e/ou outras organizações que desenvolvam conteúdo audiovisual, a exemplo dos Pontos de Cultura.

A oficina de produção musical complementa a de audiovisual, trabalhando a sensibilização através da música, voltada à produção de trilhas sonoras originais para as peças audiovisuais realizadas.

Vislumbramos neste novo plano de trabalho a realização de um processo de oficinas com uma proposta metodológica inventiva construída coletivamente (como sempre foi). Os grupos de oficinandos, compostos pela comunidade, trabalhadores de saúde, assistência social, artistas, estudantes, terão a possibilidade de pensar e produzir algo que realmente faça sentido em seus territórios e nos locais onde desenvolvam suas atividades diárias, sejam de estudo, arte, trabalho ou todas juntas. Acreditamos, assim, que a possibilidade de escutar e registrar a contribuição das comunidades envolvidas através das histórias cotidianas das pessoas serve para humanizar as relações, valorizando os indivíduos e suas memórias na família e na comunidade, repercutindo na autoestima daquele que produz por poder falar e pensar em seu bairro, seu local de trabalho, sua vida.

Relação com a Unidade de Saúde Divina Providência

Pelo Ventre Livre entender que cultura e saúde são indissociáveis, o Ponto abriga desde 2013 as atividades de núcleos operativos da Unidade Básica de Saúde Divina Providência que, com certeza, vão somar para que o espaço retome as atividades com bastante força (veja o cronograma dos núcleos operativos).

Enfim, este projeto apresenta-se numa proposta de interligação de conhecimentos, permitindo uma organização efetiva de atividades que durante um bom tempo já ocorriam dentro do ponto de cultura e agregando novos aspectos e metodologias de produção e compartilhamento de saberes.

Desejamos que os próximos anos sejam de muita música, filme, conversa, convivência, arte, cultura e saúde na Vila Jardim.

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