Histórico Ventre Livre

Abaixo segue o projeto que deu origem ao Ponto de Cultura. Como na prática tudo se transforma e se adapta, CLIQUE AQUI para ver no que essa ideia original se transformou através das postagens desta primeira fase que correspondeu ao período de 2008 a 2012 e foi marcada por uma série de atividades nas diversas áreas da arte e cultura na comunidade da Vila Jardim.

Ponto de Cultura
São iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que, após seleção por edital público, firmam convênio com o Ministério da Cultura, e tornam-se responsáveis por articular e impulsionar ações culturais já existentes nas comunidades. Atualmente, existem mais de 650 Pontos de Cultura espalhados pelo país. Mais informações: http://www.cultura.gov.br/.

Ventre livre
Através de um acordo firmado entre o Ministério da Cultura e Ministério da Saúde, no final de 2008, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) selecionou 10 propostas de Pontos de Cultura nos territórios onde o GHC atua na cidade. O Ventre Livre é uma dessas propostas e vai desenvolver atividades na Vila Jardim com o apoio do Posto de Saúde Divina Providência pelo período de 3 anos.

SOBRE: PONTO DE CULTURA VENTRE LIVRE

Trata-se de um projeto na interface entre arte e saúde: a arte proporcionando espaços de diálogo, relativização de discursos e humanização de relações. O foco do projeto do Ponto de Cultura VENTRE LIVRE é a saúde da mulher, em especial as questões relacionadas à gravidez.
O Ponto de Cultura será desenvolvido no Território adstrito à Unidade de Saúde Divina Providência através da criação de uma equipe interdisciplinar, da criação do Grupo de Vídeo (com mulheres jovens e adolescentes moradoras do território) e da integração do Grupo Amigos da Saúde e do grupo Artebela (1) no projeto.

Durante o processo de construção do planejamento participativo da USDP em assembléia comunitária, foi tirado como meta desenvolver ações intersetoriais através da captação de projetos sociais e culturais. Assim, o Ponto de Cultura surge como uma via alternativa de relação entre a Unidade de Saúde e a comunidade.

Parte do pressuposto que a democratização do acesso à arte e ao conhecimento artístico contribui expressivamente com a diminuição de desigualdades sociais, incluindo o acesso à saúde integral.
O público diretamente atingido pelo projeto é composto de moradoras do território da USDP: população de baixa renda, jovem em sua maioria e em situação de vulnerabilidade social. Os principais problemas de saúde da localidade são: drogadição, alcoolismo, hipertensão, AIDS, violência urbana e doméstica.

O projeto é organizado de modo ampliar o público atingido, a partir do compartilhamento das experiências geradas no Ponto com moradores dos demais territórios abrangidos pelo GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO (GHC).

1. O grupo Amigos da Saúde surgiu há três anos com a idéia de trabalhar educação em saúde com usuários hipertensos e diabéticos, e atualmente acolhe pessoas da comunidade que não necessariamente tenham doenças crônicas. Iniciam com atividades de alongamento e relaxamento para estimular a prática de exercícios físicos no cotidiano dos participantes e seguem com uma roda de conversa sobre temas diversos. No início de cada ano é realizada a escolha dos temas que serão desenvolvidos através da dinâmica “árvore de idéias”. Dentre os assuntos trabalhados estão: relacionamentos; violência; diabetes; plantas medicinais; sexualidade; direitos sociais; e direitos da mulher. Como forma de possibilitar aos participantes vivenciar espaços de lazer e contato com a natureza, também são realizadas atividades tais como: oficina de gastronomia; oficina de teatro e de dança; idas ao cinema; comemorações festivas e passeios. O acompanhamento clínico dos integrantes do Grupo é realizado, de forma sistemática, através da medida da pressão arterial, glicemia e peso de acordo com a necessidade de cada um.

O Artebela é um grupo de arte-terapia e geração de renda. Através de atividades artesanais, além de aprender técnicas de artesanato, as usuárias têm a possibilidade de criar um espaço de convivência e de trocas de vivências. A geração de renda advinda do artesanato proporciona as mulheres, uma estratégia de complementar a renda familiar, o que lhes estimula a auto-estima e a autonomia.

Ambos os grupos são compostos por praticamente as mesmas participantes e possuem articulação entre si. O Ponto de Cultura poderá qualificar as condições do trabalho já existente e agregar atividades (oficinas de dança, cultura digital e audiovisual), assim contribuindo para capacitar as suas integrantes para uma atuação ainda mais efetiva e positiva na comunidade. A partir de atividades de integração destes grupos com o Grupo de Vídeo, formado por adolescentes, o projeto vai trabalhar em uma perspectiva transgeracional, onde as histórias dessas mulheres possam refletir acerca dos significados e percepções sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea.

A proposta do Ponto de Cultura VENTRE LIVRE tem como especificidade a aposta na arte contemporânea de qualidade como propulsora de construção de pensamento e relações humanizadas. Assim, o projeto nasce do GRÁVIDA, um espetáculo de dança contemporânea com reconhecido mérito artístico.

Também aposta no trabalho de especialistas em interação, criando interfaces e interdisciplinaridade, integrando sem homogeneizar e promovendo novas relações.
Na contramão da homogeneização das culturas, pretendida pela “ideologia neoliberal”, o projeto empodera mulheres na medida que esclarece e propõe uma relação mais amorosa com o próprio corpo.

Como uma via alternativa à lógica de mercado, o Ponto de Cultura VENTRE LIVRE propõe a solidariedade: o trabalho em equipe, rodas de diálogo, discussão e reflexão da apreciação artística. Promove a integração sem competição e a cooperação entre as pessoas que formam as comunidades, unidades de saúde, hospitais e escolas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

(1) Criar um grupo de produção de vídeo e cultura digital formado por mulheres jovens e adolescentes moradoras do território da Unidade de Saúde Divina Providência;
(2) Qualificar as ações já existentes do Grupo Amigos da Saúde e Artebela da USDP, formado por moradoras do território da Unidade e promover a integração destas com o trabalho que será desenvolvido com as adolescentes, numa perspectiva transgeracional;
(3) Capacitar e estimular o Grupo de Vídeo, O Grupo Amigos da Saúde e Artebela a produzir ferramentas de difusão das experiências realizadas pelo Ponto de Cultura – vídeo-documentário, site, fotografia, entre outros – com utilização de software livre;
(4) Capacitar e estimular o Grupo de Vídeo a produzir filmes (documentários ou ficcionais) com temas relacionados à saúde da mulher incentivando as participantes das ações do Ponto buscarem seu empoderamento, autonomia e transformações em suas vidas;
(5) Realizar apresentações gratuitas do espetáculo de dança-teatro GRÁVIDA para o Grupo Hospitalar Conceição: hospitais e comunidade abrangida pelo SSC, nas Unidades de Saúde e em escolas;
(6) Contribuir com o fomento da produção de dança contemporânea gaúcha e com a manutenção do GRÁVIDA, um espetáculo com reconhecido mérito artístico;
(70) Promover espaços para expressão e sensibilização sobre as questões gênero e sobre a subjetividade da mulher contemporânea, a partir do contato com a linguagem artística – dança, foto, vídeo e teatro;
(8) Contribuir com as metas do planejamento participativo da USDP, situada no Bairro Vila Jardim;
(9) Contribuir com a “Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher”, em especial com políticas públicas de planejamento familiar e gravidez na adolescência através do tratamento dos temas em enfoque humanista e artístico e numa perspectiva de saúde integral;
(10) Contribuir com a democratização do acesso à arte contemporânea, ao conhecimento artístico e ao conhecimento de cultura digital.

TERRITÓRIO DE ATUAÇÃO E PÚBLICO ALVO

O Ponto de Cultura será implantado no Território da Unidade de Saúde Divina Providência (SSC) do grupo GHC, situada no Bairro Vila Jardim, em Porto Alegre.
A comunidade pertencente à área de abrangência da Unidade é predominantemente jovem, possui baixo poder aquisitivo, com altos níveis de desemprego e sub-emprego. O território tem seu cotidiano atravessado pela violência social e pelo comércio ilegal de drogas. Apresenta alto índice de carência sócio-econômica e de vulnerabilidade social, intensificadas, hoje, pela disseminação do craque. Os principais problemas de saúde da localidade são: drogadição, alcoolismo, hipertensão, AIDS, violência urbana e doméstica. A USDP é a principal referência institucional para a comunidade, em função disto, a equipe multiprofissional tem sentido a necessidade de incorporar ações sociais e culturais em suas atividades. Durante o processo de construção do planejamento participativo da USDP em assembléia comunitária, foi tirado como meta desenvolver ações intersetoriais através da captação de projetos sociais e culturais. Assim, o Ponto de Cultura surge como uma via alternativa de relação entre a Unidade de Saúde e a comunidade.

AÇÕES INTEGRADAS E EM ACORDO COM AS DIRETRIZES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE E DA SECRETARIA ESPECIAL DA MULHER

Além de contemplar as necessidades pontuais da unidade Divina Providência, o Ponto de Cultura VENTRE LIVRE se constituirá como um núcleo de pensamento e geração de experiências capazes de inserir a discussão sobre gênero e sobre atenção integral na saúde da mulher em todo o Serviço de Saúde do GHC. Para tanto, este projeto foi apresentado à Coordenação da Atenção da Mulher no Serviço de Saúde Comunitária, que mostrou extremo interesse na proposta.
Ainda, o VENTRE LIVRE será um Ponto de referência para ampliar esta discussão em todo o país e integrar as demandas do Brasil em relação às carências em arte, saúde, educação e discussão de gênero.

Como vem de um projeto artístico, tem em seu cerne a articulação interdisciplinar. Assim, a proposta para o Ponto de Cultura apresenta alternativas para as metas do Ministério da Saúde, como também da Secretaria Especial da Mulher.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher apresenta o compromisso com a implementação de ações e serviços de saúde que contribuam para a garantia dos direitos humanos das mulheres, os direitos sexuais e os direitos reprodutivos. Propõe incorporar o enfoque de gênero, a integralidade e a humanização da atenção à saúde e enfatiza a importância do empoderamento das usuárias do SUS e a participação das mulheres nas instâncias de controle social. Propõe a realização de ações educativas que “devem estimular mulheres e homens, adultos(as) e adolescentes, ao auto-conhecimento e ao auto-cuidado, fortalecendo a auto-estima e a auto-determinação, contribuindo, dessa forma, para o protagonismo e autonomia desses sujeitos”.

OS SIGNIFICADOS DO NOME: VENTRE LIVRE

Traz uma dimensão utópica para a gravidez. Marca a possibilidade de transformação na relação entre gerações. Destaca a arte e a educação como modo de alcançar a liberdade de escolha e o usufruto dos direitos humanos. Liberdade para viver o próprio corpo e ser feliz. Não deixa esquecer que a desigualdade social no Brasil também foi construída por anos de escravidão e que hoje ainda está vinculada às barreiras sociais geradas pelo racismo.

BENEFÍCIOS PRODUZIDOS

CULTURAIS: (1) Democratização do acesso à arte contemporânea, ao conhecimento artístico e ao conhecimento de cultura digital; (2) Acesso da comunidade do Território da Unidade de Saúde Divina Providência a procedimentos e materiais de expressão; (3) Qualificação do trabalho já desenvolvido pelo Grupo Amigos da Saúde e Artebela; (4) Ampliação de horizontes artísticos e pessoais dos membros dos grupos, devido à troca de experiências proporcionadas pela Rede de Pontos de Cultura; (5) Capacitação e formação sócio-cultural de integrantes do Grupo de Vídeo; (6) Desenvolvimento de criação artística à margem da lógica da mercadoria; (7) Fomento da produção de dança contemporânea gaúcha.

SOCIAIS: (1) Integração entre as políticas de saúde e de cultura; (2) Contribuição com a “Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher”, em especial com políticas públicas de planejamento familiar e gravidez na adolescência, numa perspectiva de saúde integral; (3) Resgate de adolescentes que estão envolvidas no tráfico e em situação de violência; (4) Promoção de espaços para expressão e sensibilização sobre as questões gênero e sobre a subjetividade da mulher contemporânea; (5) Inserção na cultura digital, contribuindo para a superação de desigualdades e exclusão social.

ECONÔMICOS: (1) Maior acesso à informação, ao conhecimento e a técnicas que ampliam a qualificação para o trabalho das integrantes do Grupo de Vídeo; (2) Qualificação das atividades de geração de renda do Grupo Artebela.

IDADE – PÚBLICO DIRETAMENTE ATENDIDO PELAS ATIVIDADES:

1. Grupo de Vídeo: de 12 a 24 anos
2. Grupo Amigos da Saúde e Arte Bela: de 40 a 70 anos
3. Apresentações do espetáculo, debates e mostras do vídeo-documentário: acima dos 12 anos
4. Profissionais da saúde que participarão do Ponto de Cultura e das atividades propostas pelo mesmo: acima dos 22 anos.

IDADE – PÚBLICO INDIRETAMENTE ATENDIDO PELAS ATIVIDADES:

Todas as idades

GRAU DE ESCOLARIDADE – PÚBLICO DIRETAMENTE ATENDIDO PELAS ATIVIDADES:

1. Grupo de Vídeo: Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.
2. Grupo Amigos da Saúde:Ensino fundamental incompleto.
3. Apresentações do espetáculo, debates e mostras do vídeo-documentário: Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos.
4. Profissionais da saúde que participarão do Ponto de Cultura e das atividades propostas pelo mesmo: ensino superior, residência e pós-graduação.

GRAU DE ESCOLARIDADE – PÚBLICO INDIRETAMENTE ATENDIDO PELAS ATIVIDADES:

Todos os graus de escolaridade

QUANTIDADE – PÚBLICO DIRETAMENTE ATENDIDO PELAS ATIVIDADES:

1. Grupo de Vídeo: 30
2. Grupo Amigos da Saúde e Artebela: 15
3. Apresentações do espetáculo, debates e mostras do vídeo-documentário: 3.000
4. Profissionais da saúde que participarão do Ponto de Cultura e de atividades propostas pelo mesmo: 70

QUANTIDADE – PÚBLICO INDIRETAMENTE ATENDIDO PELAS ATIVIDADES:

1. Moradores do Território da USDP: 6.000
2. Moradores dos demais Territórios do SSC do GHC: 125.000
3. Trabalhadores e colaboradores do GHC: 7.000

Anúncios